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Amores líquidos

Parece que as pessoas de tanto touch estão perdendo o tato. Lembre-se: nenhuma tecnologia substitui o olho no olho

por Liliane Santos

Atualizado em 13/08/2019 - 08h43

Sobre a efemeridade das relações.

 

O grande paradoxo do sujeito pós moderno, carregado de incertezas e inseguranças, é a relação com o tudo e o nada ao mesmo tempo. É muita gente querendo um relacionamento sério para quantidade de gente solteira. Por que essa equação não fecha? São os amores líquidos! Para entendermos, façamos uma reflexão a respeito da sociedade atual.

 

Zygmunt Bauman nos apresenta a sociedade líquida, também conhecida como pós moderna, aquela que não cria formas fixas. Tudo muda e se transforma o tempo todo, num período muito curto. O grande responsável por esse comportamento tão imediatista são as tecnologias, que ao abrir um mundo de possibilidades ao entorno do sujeito, os deixa acomodado e condicionados ao aqui e agora. Essa forma de se relacionar com a era digital reflete diretamente nas relações interpessoais. O que se observa são várias pessoas escondidas através da exposição das redes sociais: intimidades compartilhadas, muitos amigos e a sensação de vazio e solidão. É tanta gente reclamando de como está difícil encontrar alguém, que é difícil pensar que haja tantos desencontros.

 

Pois é, os amores líquidos são construídos e baseados como um jogo, em que ganha aquele que menos se mostrar e que mais parecer indiferente. Digamos que é uma constante política de valorização ao contrário. O mais interessante é pensar esse processo avesso que ocorre no mundo globalizado. Ao invés das pessoas estarem mais próximas, estão cada vez mais distantes. E são poucas as pessoas que param para refletir sobre esse paradoxo, afinal é difícil se pensar em algo diferente da realidade que se tem hoje, onde tudo acontece muito rápido e está ao alcance das mãos sem precisar sair do lugar. O que acontece é que em outros tempos, não havia tantas possibilidades, o número de lugares que se frequentava era limitado – assim como o número de pessoas com quem se poderia desenvolver um relacionamento.

 

As pessoas hoje têm a mente mais aberta e uma maior liberdade de fazer suas próprias escolhas. Isso deveria nos proporcionar estar mais juntos. O sujeito da sociedade líquida está aberto a encontrar pessoas, mas não a conhecer. As pessoas não criam relações, mas teias comunicacionais. Se falamos com todos ao mesmo tempo, não damos atenção verdadeira a ninguém. Dessa forma perde-se a singularidade e o outro é só mais um. Fica difícil se tornar especial para alguém! Para conhecer é preciso que haja disposição.

 

Nenhuma tecnologia substitui o olho no olho. Parece que as pessoas de tanto touch estão perdendo o tato. Entender que as coisas precisam de um tempo para florescer faz parte do amadurecimento necessário em qualquer relação. Muitas vezes você pode ter encontrado alguém super especial, mas que você sequer notou, afinal faltou tempo e disposição para perceber o quanto aquela pessoa poderia fazer a diferença na sua vida.

 

Acredite! Mesmo em uma sociedade líquida é possível viver amores sólidos. Basta querer, verdadeiramente.

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