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Brasil

DECISÃO

Brasil enfrenta o Peru confiante no setor defensivo

Equipe de Tite sonha em conquistar título da Copa América sem sofrer gols. Jogaço é às 17h deste domingo (07)

por Jonas Laskouski

Atualizado em 07/07/2019 - 12h02

Se terminar a final deste domingo contra o Peru sem ter o seu gol vazado, a seleção brasileira irá quebrar um jejum que já perdura 18 anos e que poucas vezes foi visto numa edição de Copa América: o de ser campeão continental sem sofrer gols. Nesse caso, a defesa montada pelo técnico Tite poderá acrescentar um significado à expressão “saída à francesa”, já que três dos cinco atletas que compõem o setor foram companheiros no Paris Saint-Germain.

 

Números apontam favoritismo do Brasil (Foto: Raul Arboleda/AFP)

 

O miolo de zaga é formado por Marquinhos e Thiago Silva, enquanto que o lado direito tem o capitão Daniel Alves. O trio, aliado a Filipe Luís ou Alex Sandro, é a última linha de defesa antes de chegar ao gol defendido por Alisson, que está há nove jogos sem sofrer gols, incluindo aí partidas pelo Liverpool.

 

A solidez da defesa é enaltecida por Marquinhos, que desde as Eliminatórias para a Copa da da Rússia é titular com Tite – exceto no Mundial, quando ficou na reserva de Thiago Silva. Na sexta-feira, o zagueiro do PSG comentou a possibilidade de o Brasil ser campeão sem sofrer um único gol. “A gente está trabalhando para isso. Em competições rápidas assim, de mata-mata, a gente sabe o quanto é importante não levar gol. Isso é um fator que dá confiança para o time”, disse Marquinhos. “Não ter levado gols nessa competição em casa, apesar de alguns momentos difíceis na disputa, é importante.”

 

Com a autoridade de quem ostenta a braçadeira de capitão, o lateral Daniel Alves exalta o conjunto defensivo como um todo. Para ele, que decidiu não prosseguir no PSG, mas permanecerá no futebol europeu, o que é demonstrado em campo, seja na defesa, no meio ou no ataque, é resultado do trabalho coletivo.

 

“O que a gente quer é lutar até o fim e coroar esse trabalho excepcional. Todo o conjunto vem se dedicando muito por um objetivo”, declarou, após a vitória sobre a Argentina, a primeira, de fato, em que o setor defensivo do Brasil foi testado.

 

Marquinhos também ressaltou a força do elenco. “Temos consistência e precisamos exaltar o trabalho de todos, não só da defesa. Todos ajudam na marcação, e isso não é da boca para fora. Se pegar os lances de algumas partidas, todos ajudam a marcar e isso facilita o trabalho lá atrás”, comentou.

 

Thiago Silva, destaque (Foto: CBF)

 

Thiago Silva tem o mesmo pensamento. “A solidez defensiva começa na frente, no ataque. Procuro frisar isso. Quando a gente não toma gol, falam que a defesa foi bem. Com a pressão sendo feita no ataque, a gente tem menos dificuldade do que o normal atrás”, diz o defensor.

 

Aos 34 anos, Thiago é um dos jogadores mais regulares do Brasil, e insiste que o bom momento da defesa não se resume aos atletas que atuam na primeira parte do campo. “Fico feliz pelo trabalho de todo o grupo, não é só meu e do Marquinhos. Casemiro dá proteção incrível, Firmino lá na frente ajuda, assim como Coutinho e Jesus. A equipe é completa, mas só ganhando títulos ficaremos marcados”, continuou Thiago Silva.

 

HISTÓRICO

O desempenho defensivo é destacado desde que Tite assumiu a seleção, em 2016. Nesse período, o Brasil disputou 41 jogos e sofreu dez gols. O problema é que 20% deles saíram nas quartas de final da Copa da Rússia, quando o Brasil levou 2 a 1 da Bélgica e foi eliminado. Toda zaga é cobrada para ser efetiva nas grandes partidas e nos jogos mais decisivos.

 

Há 30 anos, na última vez em que o País sediou a Copa América, em 1989, o Brasil também apresentou uma defesa eficiente. Na ocasião, a seleção foi campeã tendo sofrido um único gol, na vitória por 3 a 1 sobre a Venezuela na primeira fase.

 

Na história da Copa América, em quatro oportunidades o campeão ergueu o troféu sem ser vazado. E os primeiros casos foram registrados há um século. A primeira equipe a conseguir o feito foi o Uruguai, em 1917. Quatro anos depois a Argentina fez o mesmo. Mas ambos precisaram disputar somente três jogos para comemorar a conquista. Em 1987, o Uruguai voltou a ser campeão sem sofrer gols, porém precisou entrar em campo apenas duas vezes. Por fim, o feito mais recente do tipo veio com a Colômbia, em 2001.

 

(Com texto e informações de Ciro Campos e Marcio Dolzan, do Estadão)

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