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Cristina Kirchner reencontra eleitores na Argentina

A ex-presidente argentina reúne milhares de pessoas para o lançamento de ‘Sinceramente’, seu livro de memórias que já vendeu 250.000 exemplares. Sinceramente?

por Jonas Laskouski

Atualizado em 12/05/2019 - 03h07

Pois é.

 

Dois jornalistas do El País escreveram uma reportagem que, pelo teor, deveria ter uma foto da ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, num pedestal. Vamos ao primeiro parágrafo:

 

“Como a arquibancada do estádio de Anfield ou a multidão de um show dos Stones, a Feira do Livro de Buenos Aires foi à loucura. Cristina voltou. Ex-presidenta (sim, o El País usa esse termo – te lembra alguma coisa?) da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner lançou o seu livro de memórias, Sinceramente. E o entusiasmo do público explicou por que foram vendidos mais de 250.000 exemplares em pouco mais de uma semana. Não foi um comício nem o anúncio de uma candidatura, mas dá no mesmo. Restam poucas dúvidas após um ato político dessa magnitude. Embora continue guardando suas cartas, Cristina Kirchner estará na corrida pela presidência. E já propõe uma primeira ideia: um “contrato social” para o crescimento econômico”.

 

Pausa dramática: A ex-presidente argentina tem hoje seis processos abertos, entre eles quatro por supostos casos de corrupção pelos quais também foram processados seus filhos, ex- funcionários do alto escalão de seu governo e empresários afins. Kirchner, que não pode ser presa por ter foro de senadora, nega todas as acusações e se declara uma perseguida política. Qualquer semelhança é mera coincidência. O texto continua:

 

“A ex-mandatária, acompanhada por María Teresa Carbano, da Fundação El Livro, e por Juan Boido, diretor da editora Sudamericana-Random House, começou falando de sua obra. Que devia ter sido intitulada Néstor e Eu, mas que ficou sendo Sinceramente, o complemento que usa em quase cada frase. Que foi crescendo, além do propósito da autora (ajudada na redação por uma jornalista, coisa que não mencionou). Que respirava honestidade e aspirava apenas a “contribuir para o debate”. Mas as divagações da autora de sucesso duraram muito pouco. Kirchner disse que a crise argentina era gravíssima, que os argentinos eram “muito complexos”, e começou com a política. “Me chamam de populista, nos chamam de choripaneros [pela distribuição de choripán, pão com linguiça, durante os atos]”, disse, recordando o mandato de seu falecido marido e os próprios, “mas geramos milhões de postos de trabalho”.

 

O bla bla bla seguiu.

 

“Após uma referência sentimental às “pessoas humildes e trabalhadoras” que não seguem nenhuma ideologia, proclamou que o país se encontrava “num momento muito especial de sua história”. “Podemos construir algo diferente de tudo”, “precisamos de um contrato social entre todos, com metas concretas e verificáveis”, porque “para conseguir crescimento é preciso um mercado interno forte”. Cristina chegou a propor Donald Trump como modelo, por suas medidas protecionistas para gerar emprego industrial, e lamentou que o presidente Mauricio Macri, que não citou, não “imitasse o que fazem lá”. Seu contrato social deveria se chamar, mais precisamente, Contrato Social da Cidadania Responsável.

 

Houve evocações a Juan Domingo Perón, aos bons empresários de outra época, aos deficientes empresários de hoje e à sua experiência prática como governante. Só faltava a frase “lanço minha candidatura à presidência da República Argentina”. Essa frase não foi pronunciada no palco. Mas o público, interno e externo, entendeu a mensagem: Cristina volta. E gritou como se a candidatura tivesse sido anunciada. “Voltaremos, voltaremos”, clamavam dentro do pavilhão da Feira, onde foi feita a apresentação, e lá fora, onde a multidão se reuniu para aclamá-la.

 

Cristina comentou então que estavam na sala Jorge Luis Borges e recordou a palavra com a qual o escritor definiu os peronistas. “Somos incorrigíveis”, afirmou, com um grande sorriso. Acabou em tom emotivo. Disse que decidira apresentar o livro em 9 de maio porque foi num 9 de maio, há 44 anos, que se casou com Néstor Kirchner num cartório de La Plata. As câmeras que transmitiam o ato pela TV (todos os canais o exibiram ao vivo) encontraram entre o público muitos olhos com lágrimas.

 

No final, Cristina Kirchner se assomou à porta da sala, com capacidade para 1.000 pessoas. E, por cima do muro de madeira que impedia o acesso ao interior, saudou a multidão. De novo explodiu o entusiasmo. Cantaram-se a Marcha Peronista e “sinceramente ocupamos a Rural”, em referência à origem aristocrática do local, que representa os grandes proprietários de terra.

 

A ex-presidente, ainda não candidata, lidera as pesquisas. Se ainda havia alguma dúvida sobre a emoção que ela gera entre os seguidores, desapareceu nesta Feira do Livro.

 

Ah, repetimos, qualquer semelhança é mera coincidência.

 

(Com informações de Enric González e Federico Rivas Molina, do El País)

 

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