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ALERTA

Mais de 2 milhões de brasileiros apresentam traços de dependência alcoólica

3º Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela números que impressionam. Quer dizer, será que impressionam mesmo ou é o tipo de coisa que a gente lê e pensa 'ah, mas beber todo mundo bebe'. Não é bem assim não

por Jonas Laskouski

Atualizado em 09/08/2019 - 05h01

Dias atrás, em uma das casas noturnas mais movimentadas de Guarapuava, a cena era lastimável. A quantidade de meninas/moças novas (maiores de 18), todas bem arrumadas, estilosinhas mas ‘caindo de bêbadas’ chamava atenção. Chamava atenção mesmo. Pelos menos umas três estavam no chão, já que não conseguiam parar em pé. Uma delas, inclusive estava ‘de gatinho’, como se costuma dizer. O cenário é recorrente dia após dia na balada não só por aqui mas no país.

 

“Nossa, que exagero, editor”. Quem nunca, né? Tá, todos já tivemos um porre ou dois, vez ou outra na vida, mas é necessário o alerta.

 

Que o uso da bebida alcoólica é algo normal na juventude, já sabemos, mas no Brasil esse fato é ainda mais agravante (Foto: Reprodução)

 

O índice de consumo de álcool no Brasil é mais alarmante do que o do uso de substâncias ilícitas, segundo o 3º Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A pesquisa revelou que mais da metade da população brasileira de 12 a 65 anos declarou ter consumido bebida alcoólica alguma vez na vida.

 

Cerca de 46 milhões (30,1%) informaram ter consumido pelo menos uma dose nos 30 dias anteriores. E aproximadamente 2,3 milhões de pessoas apresentaram critérios para dependência de álcool nos 12 meses anteriores à pesquisa.

 

Levantamento ouviu pessoas a partir dos 12 anos de idade (Foto: (Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil)

 

O levantamento que ouviu cerca de 17 mil pessoas com idades entre 12 e 65 anos, em todo o Brasil, entre maio e outubro de 2015, é apontado como um dos mais completos por sua abrangência. Pesquisadores da fundação afirmam, inclusive, que os resultados são representativos inclusive de municípios de pequeno porte e de zonas de fronteira.

 

ÁLCOOL E VIOLÊNCIA

A relação entre álcool e diferentes formas de violência também foi abordada pelos pesquisadores que detectaram que, aproximadamente 14% dos homens brasileiros de 12 a 65 anos dirigiram após consumir bebida alcoólica, nos 12 meses anteriores à entrevista. Já entre as mulheres esta estimativa foi de 1,8%. A percentagem de pessoas que estiveram envolvidos em acidentes de trânsito enquanto estavam sob o efeito de álcool foi de 0,7%.

 

Uso de álcool está sim relacionado a diferentes formas de violência (Foto: Reprodução)

Cerca de 4,4 milhões de pessoas alegaram ter discutido com alguém sob efeito de álcool nos 12 meses anteriores à entrevista. Destes, 2,9 milhões eram homens e 1,5 milhão, mulheres. A prevalência de ter informado que “destruiu ou quebrou algo que não era seu” sob efeito de álcool também foi estaticamente significativa e maior entre homens do que entre mulheres (1,1% e 0,3%, respectivamente).

 

PERCEPÇÃO DE RISCO

A percepção do brasileiro quanto às drogas atrela mais risco ao uso do crack do que ao álcool: 44,5% acham que o primeiro é a droga associada ao maior número de mortes no país, enquanto apenas 26,7% colocariam o álcool no topo do ranking.

 

Segundo coordenador do levantamento e pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fiocruz, Francisco Inácio Bastos, os principais estudos sobre o tema, como a pesquisa de cargas de doenças da Organização Mundial de Saúde, não deixam dúvidas: o álcool é a substância mais associada, direta ou indiretamente, a danos à saúde que levam à morte”, afirmou Bastos.

 

Que situação, hein (Foto: Reprodução)

 

“Tanto o álcool quanto o crack, porém, representam grandes desafios à saúde pública. Os jovens brasileiros estão consumindo drogas com mais potencial de provocar danos e riscos, como o próprio crack. Além disso, há uma tendência ao poli uso [uso simultâneo de drogas diferentes]. Por isso é tão importante atualizar os dados epidemiológicos disponíveis no país, para responder às perguntas de um tema como o consumo de drogas, que se torna ainda mais complexo num país tão heterogêneo quanto o Brasil”, advertiu.

 

MACONHA

A maconha é a substância ilícita mais consumida no Brasil, segundo o Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os dados apontam que 7,7% dos brasileiros de 12 a 65 anos já usaram maconha ao menos uma vez na vida. A segunda droga com maior consumo no país é a cocaína em pó (3,1%). As informações são da Agência Brasil.

 

DIMINUIÇÃO DE CIGARRO

Sobre tabaco, o coordenador da pesquisa da Fiocruz destacou uma redução do consumo identificado no levantamento. “Outras pesquisas têm mostrado que há um declínio com relação ao uso do cigarro convencional. Por outro lado, têm chamado atenção para formas emergentes de fumo, com a ascensão de aparatos como cigarros eletrônicos e narguilés”, disse Bastos.

 

MEDICAMENTOS

Outro dado destacado pelos pesquisadores diz respeito ao uso dos analgésicos opiáceos e dos tranquilizantes benzodiazepínicos. Nos 30 dias anteriores à pesquisa eles foram consumidos de forma não prescrita, ou de modo diferente àquele recomendado pela prescrição médica, por 0,6% e 0,4% da população brasileira, respectivamente.

 

(É um número que revela um padrão muito preocupante, e que faz lembrar o problema norte-americano de uma década atrás, em termos de classe de substâncias”, alertou Bastos.

 

Prudência, minha gente. E isso vale para todo mundo. Inclusive pra mim.

 

(Boa parte desta reportagem é de Douglas Corrêa, repórter da Agência Brasil. Também há recortes da Gazeta do Povo)

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