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Com sample de Belchior, nova música de Emicida é um grito pela vida e faz um bem danado

"Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro / Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro". Repetidos na voz da lenda (morto em 2017), esses versos reforçam a vida que emana do povo a despeito de todas as adversidades cotidianas. O depoimento anônimo no começo do vídeo saboreia a vitória da vida após uma tentativa de suicídio

por Jonas Laskouski

Atualizado em 28/06/2019 - 07h34

Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes / Tanta dor rouba nossa voz, sabe o que resta de nós? / Alvos passeando por aí / Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes / Se isso é sobre vivência, me resumir a sobrevivência / É roubar o pouco de bom que vivi

 

Os versos do poema ‘Permita que eu fale’, escritos por Emicida e inseridos na música “AmarElo” na vozes de Pabllo Vittar e Majur, fortalecem e levantam a voz – e a autoestima – do “povo oprimido nas filas, vilas e favelas” de que falou Caetano Veloso na letra da canção “Sampa” (1978).

 

Pabllo Vittar, Majur e Emicida, no clipe de “AmarElo” (Foto: Divulgação)

 

Lançado na última terça, “AmarElo” conta com as participações das cantoras Pabllo Vittar e Majur, representantes da diversidade sexual e da liberdade de cada um ser o que é na vida e na música – causa também abraçada por Emicida. Mas o grito mesmo vem do sample de uma música de uma lenda da MPB. Na canção, o rapper Emicida utilizou trechos de “Sujeito de Sorte”, música de autoria de Belchior (1946 – 2017), lançada pelo artista cearense no álbum Alucinação (1976) – contribui para deixar clara a mensagem positiva do discurso.

 

Filmado no Complexo do Alemão, na zona Norte do Rio de Janeiro, o clipe começa com o depoimento verídico de uma pessoa próxima ao rapper que saboreia vitória da vida após uma tentativa de suicídio. Se na música, o trio traz uma reflexão sobre a força interior de cada pessoa, o vídeo complementa com imagens e pequenas histórias de superações pessoais, especificamente de populações mais pobres. Com quase nove minutos de duração, a produção foi dirigida por Sandiego Fernandes.

 

Majur: vocal mais que poderoso (Foto: Reprodução)

 

Sobre as participações, Pabblo Vittar dispensa apresentações e merece atenção de quem só a critica. Já a baiana Majur, de 23 anos, chama atenção na faixa não só pela voz potente ao interpretar o refrão de Sujeito de Sorte, de Belchior, mas por ser o nome menos conhecido do trio. Nascida Marilton Conceição Jr., a artista se identifica como de gênero não binário e ganhou notoriedade entre a classe artística ao se apresentar em uma festa de Caetano Veloso, no início do ano. Ela é contratada da gravadora Uns Produções, de Paula Lavigne. Em janeiro, Caetano Veloso compartilhou em seu Facebook um vídeo da cantora interpretando Náufrago e elogiou: “Canta Muito”. E canta mesmo.

 

Tire alguns minutinhos e contemple a beleza desse video clipe e o grito que se faz presente em cada frase.

 

(Com informações de Mauro Ferreira, do G1)

 

 

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